santuário de n. sra. de caravaggio

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10/10/2026

Peregrinamos para a casa de Maria

"Os peregrinos de ontem e de hoje simbolizam aqueles que estão em busca da pátria celeste, os que diante de Deus e sob a proteção de Maria chegam aos nossos santuários, abrindo o coração e erguendo as mãos para expressar gratidão pelas graças alcançadas"

Foto de capa
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Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus. Neste Mês Missionário e do Rosário, temos a graça de poder celebrar a Festa de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira do Brasil. A cada ano, milhões de peregrinos de todas as classes sociais e de todo o Brasil, se deslocam até o Santuário Nacional, em Aparecida. Muitos percorrem centenas de quilômetros caminhando, outros utilizam vários meios de transporte. Eles vêm de longe ou de perto, e entre os peregrinos está o rico e o pobre, aquele que crê e também o iniciado no caminho da fé, aquele que vem agradecer por uma promessa alcançada e o que vem implorar por uma graça, para curar sua vida ferida ou as feridas do coração de alguém que ama. Movidos pela fé, todos vão até o Santuário Nacional, para colocar diante de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, como filhos e filhas, seus pedidos, suas dores, suas alegrias e esperanças, e, ao mesmo tempo, expressar gratidão pelas graças alcançadas.

A Virgem Maria, mãe amorosa que acolheu em seu seio o “Verbo” de Deus, o Jesus menino em seus braços e o corpo sem vida do filho, descido da cruz, acolhe a todos. O amor de mãe não faz distinção, mas é sensível à aflição dos filhos que mais padecem e sofrem. Diante da mãe, os filhos não precisam dizer muitas palavras, porque em seu amor materno ela sente o sofrimento deles.

Os peregrinos de ontem e de hoje simbolizam aqueles que estão em busca da pátria celeste, os que diante de Deus e sob a proteção de Maria chegam aos nossos santuários, abrindo o coração e erguendo as mãos para expressar gratidão pelas graças alcançadas. Mas, também, no silêncio, movidos pela fé, entreabrem os lábios para fazer uma prece, que somente os ouvidos e a sensibilidade, cheia de ternura e de amor, de um Pai e uma Mãe podem entender. Maria é a mãe que acolhe sem distinção, o que cada filho ou filha carrega no seu coração, muitas vezes ferido, cheio de dor e de lágrimas, pela falta de amor e de esperança; a esperança de ter saúde, de ter paz na vida e na família; esperança de ter a vida respeitada na sua dignidade e integridade; esperança de ter oportunidade de trabalho, uma casa digna para morar e condições para que os filhos possam estudar e se preparar para o futuro.

Nesse peregrinar para a casa do Pai, muitos romeiros se encontram e buscam fortalecer o espírito de fé, na casa de Maria. Ali, no meio de muitos, eles não passam despercebidos pelo olhar de amor maternal de Maria. É o peregrino com os pés feridos pelo longo caminho percorrido, o peregrino que chega até o santuário ajudado pela caridade e solidariedade dos irmãos, o peregrino que vem pela primeira vez, movido mais pela curiosidade do que pela vontade interior de fazer um encontro com o Senhor Jesus, filho de Maria; o peregrino de muitas romarias, que leva nos pés os calos e no coração a leveza da alma de quem encontrou a paz do Senhor, no olhar terno de Maria, mãe da Igreja e nossa. Mas peregrinar é também sair do nosso lugar, do nosso comodismo, de nós mesmos, para ir ao encontro do Senhor. Peregrinar também é caminhar na fé, junto com Maria, seguindo Jesus, caminho, verdade e vida, que nos conduz ao Pai.

 

+ Dom José Gislon, OFMCap.
Bispo Diocesano de Caxias do Sul

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