O roteiro turístico Caminhos de Caravaggio, que liga os Santuários de Canela a Farroupilha, acumula histórias de peregrinos e fortes doses de emoção, companheirismo e superação. É claro que percorrer 200 quilômetros a pé não é tarefa fácil, mas há quem garanta: com fé e vontade, é possível cumprir a missão e planejar retornar para outro desafio.

As histórias abaixo foram registradas antes da pandemia do coronavírus atingir o país.

 

Amizades ao longo do caminho

O casal Carlito e Lorita Galle não conteve as lágrimas na hora de descrever como foi o desempenho enquanto romeiros do Caminhos de Caravaggio. Isso porque, segundo eles, é difícil lembrar de tantos momentos ímpares sem um pouquinho de saudade. Além de fotografar cada parada e paisagens que avistaram durante o percurso, eles registraram o nome das pessoas responsáveis pela acolhida, fizeram gravações com moradores e outros detalhes que revelam o quanto curtiram cada passo dado.

“Flores, pessoas, lugares, comida. Nada se compara com as emoções e as impressões que a gente teve, com o fato de encontrar alguém e retribuir um sorriso. Foi complicado? Foi. Mas na medida em que a gente ia terminando, nós íamos mais devagar porque surgia a sensação de ‘que pena que está acabando’”, lembra Lorita.

 

 

Experiência que uniu o grupo

Há quem prefira percorrer o roteiro sozinho para desafiar-se, há quem opte por caminhar acompanhado. É o caso das amigas Susana Maria Friedrich, Claudete Hofmeister, Marlene Golfeto e Monica Kliemann, que também caminharam por 200 quilômetros. As quatro amigas chegaram juntas à esplanada do Santuário para tocar o sino que simboliza o término da caminhada: e a palavra mais repetida entre as amigas foi de gratidão.

Além de apontarem que o caminho era bem sinalizado e que os moradores das localidades eram bastante receptivos, elas afirmam que mesmo andando em grupo, a caminhada se tornou reflexiva e um momento de inspiração individual. “Serve também para se encontrar consigo mesma. A bênção que eu tive foi ver o grupo muito unido. O emocional fica abalado, até mais que o físico, e por isso há momentos que você se encontra consigo mesmo. E você pensa, revê, precisa compartilhar e seguir adiante. É uma experiência única”, pontua Marlene.

 

 

Sozinho, mas bem recebido

Ainda que a caminhada tenha sido feita com sua mochila e o cajado de companhia, sem a presença de algum amigo ou familiar, Fernando de Abreu diz que o sorriso de quem estava pronto para acolher nas comunidades situadas ao longo dos 200 quilômetros superou qualquer momento de solidão.

Fernando conta que é peregrino de longa data e, mesmo já com experiência em situações assim, ficou impressionado com a simplicidade e carinho dos moradores da Serra Gaúcha. “Apesar de andar sozinho, sempre fui recebido com abraço e muito carinho. Fora a beleza desse lugar, eu não imaginava que a serra gaúcha fosse tão encantadora. Os trechos foram todos muito bem programado e posso dizer que recebi várias bênçãos. E, sem dúvidas, a maior delas foi a acolhida”, encerra.

 

 

PARTICIPE

O que é: roteiro turístico Caminhos de Caravaggio, que liga os Santuários de Canela, situado na localidade de Saiqui, até o Santuáro de Farroupilha.

Onde: Os Caminhos de Caravaggio passam pelos municípios de Canela, Gramado, Nova Petrópolis, Caxias do sul e Farroupilha.

Como participar: todas as informações estão disponíveis no Guia do Romeiro. É o viajante que deve organizar as hospedagens e reservas. O site https://caravaggio.org.br/caminhosdecaravaggio/ reúne todas as informações para quem decide participar.

Duração: recomenda-se, em média, que o romeiro percorra 20 quilômetros por dia, totalizando 10 dias de caminhada. No entanto, quem dita o ritmo é o caminhante!

Na chegada, o caminhante recebe um certificado e ainda pode tocar o Sino do Peregrino, simbolizando a chegada.