Seção Migrantes e Refugiados do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral do Vaticano tem divulgado boletins semanais sobre os problemas enfrentados pelos migrantes e deslocados internamente durante a pandemia desde o final de março deste ano. O espaço online, oferecido em 5 línguas, entre elas, o português, apresenta sobretudo soluções e iniciativas implementadas pelos atores católicos que acompanham as populações vulneráveis a fim de defender os direitos, proporcionar assistência essencial e impedir a propagação do coronavírus dentro e para fora das comunidades.

 

 

Série 2 do boletim semanal

A pandemia continua em várias regiões, principalmente no Brasil. Em outros lugares, a realidade já é vivida em condições de pós-pandemia. Mas o impacto dessa crise não cessa, tem evoluído e assumido novas formas e, por isso, o boletim semanal entra numa nova fase com a “Série 2” de notícias que deve apresentar: um capítulo dedicado às boas práticas pastorais católicas relacionadas à migração em condições de pandemia e pós-pandemia; outro focado no tema em nível global, com iniciativas, planos e projetos apresentados por atores católicos; e um terceiro capítulo que propõe reflexões e declarações do Papa Francisco, dos Dicastérios da Santa Sé, Igrejas locais e parceiros católicos.

Boletim de 30 de junho

O mais recente boletim, divulgado nesta terça-feira (30), recorda ações desenvolvidas em vários países em virtude do Dia Mundial do Refugiado, instituído pelas Nações Unidas e celebrado no último dia 20 de junho. O próprio Papa Francisco dirigiu um pensamento e uma oração àquelas milhões de pessoas que foram forçadas a fugir e abandonar a casa ou o país por causa de conflitos, crises ambientais e alimentares, perseguições e, atualmente, devido à pandemia.

No âmbito da Santa Sé, com o trabalho desenvolvido pela Comissão Covid-19 do Vaticano, a Seção Migrantes e Refugiados orienta três políticas sobre as questões migratórias através dos documentos de regularização de migrantes, acesso ao território de pessoas que buscam proteção internacional e alternativas à detenção. O boletim direciona aos textos em italiano e em inglês.

As mensagens de proteção ao redor do mundo

Para lembrar o mundo que os refugiados são vítimas involuntárias, o dia 20 de junho também inspirou entidades católicas a divulgar mensagens sobre o tema. Foi o caso da declaração conjunta de 54 organizações religiosas pelo cuidado das pessoas deslocadas internamente, em defesa de uma maior proteção legal e pela promulgação de programas de construção da paz e reconciliação. A Rede Clamor, a Rede Eclesial Latino-americana e Caribenha de Migração, Deslocamento, Refúgio e Tráfico de Pessoas, recordou a necessidade de uma transformação, com respostas regionais coordenadas e de políticas públicas que vivem a proteção e a garantia dos direitos humanos.

Outras mensagens que são destaques no boletim se referem ao apelo da Federação das Conferências Episcopais da Ásia para que líderes asiáticos enfrentem o “racismo endêmico, o nativismo e a retórica do ódio”; e ao pedido de paz dos líderes religiosos do Conselho de Igrejas do Sudão do Sul e também dos bispos de Moçambique. As Irmãs Scalabrinianas também recordam em mensagem a exposição dos migrantes “à vulnerabilidade da exclusão, estigma e discriminação”.

Já os migrantes nos Estados Unidos têm ganhado voz através dos atores católicos que têm oferecido proteção, apoio em relação aos direitos para evitar riscos de exploração e até assistência financeira. O boletim vaticano, assim, apresenta as boas práticas desenvolvidas pelas Religiosas Católicas Contra o Tráfico de Seres Humanos e pela Conferência dos Bispos e Instituições de Beneficência Católica.