São Paulo, Curitiba, Brasília, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e claro, Rio Grande do Sul, são alguns dos estados de onde desembarcaram peregrinos dispostos a fazerem os quase 200 quilômetros do roteiro turístico Caminhos de Caravaggio em 2019. Inaugurado neste ano, o roteiro religioso que liga os dois santuários de Nossa Senhora de Caravaggio na Serra – em Farroupilha e em Canela – ultrapassa a marca de 150 peregrinos em pouco mais de oito meses de existência. Fé, superação e devoção mariana são algumas das marcas que o primeiro ano de Caminhos de Caravaggio deixa nos peregrinos.

Cada romeiro que despontou na Esplanada do Santuário de Farroupilha foi recebido de maneira emocionante: entre as iniciativas para a acolhida do romeiro, há a entrega de medalhas de Nossa Senhora de Caravaggio. São pequenas e com a descrição do Santuário de Farroupilha e, claro: a imagem de Nossa Senhora com Joaneta. Além disso, outro momento proporcionado pela equipe do Santuário costuma provocar choro – é o Sino do Peregrino, que é acionado pelos romeiros assim que chegam ao Santuário.

 

 

Outro passo importante é que o Caminhos de Caravaggio tornou-se lei em 2019. Isto porque o governador gaúcho Eduardo Leite sancionou o projeto de lei que institui o Roteiro Turístico e o coloca em um patamar de reconhecimento que possibilita captações de recursos e outras providências que devem impulsionar, ainda mais, o destino. A justificativa do projeto de lei é que, ao ser reconhecido pelo poder público, o roteiro turístico tem condições de potencializar o turismo na região na medida em que se constitui como um atrativo de vários públicos-alvo, como peregrinos, ciclistas, maratonistas e tradicionalistas.

Para 2020, a expectativa é que o roteiro seja difundido cada vez mais entre devotos de Nossa Senhora de Caravaggio – e que cheguem mais e mais relatos de amor, devoção e superação desta experiência enriquecedora e transformadora.

 

 

PARTICIPE

O que é: roteiro turístico Caminhos de Caravaggio, que liga os Santuários de Canela, situado na localidade de Saiqui, até o Santuáro de Farroupilha.

Onde: Os Caminhos de Caravaggio passam pelos municípios de Canela, Gramado, Nova Petrópolis, Caxias do sul e Farroupilha.

Como participar: todas as informações estão disponíveis no Guia do Romeiro. É o viajante que deve organizar as hospedagens e reservas. O site http://caravaggio.org.br/caminhosdecaravaggio/ reúne todas as informações para quem decide participar.

Duração: recomenda-se, em média, que o romeiro percorra 20 quilômetros por dia, totalizando 10 dias de caminhada. No entanto, quem dita o ritmo é o caminhante!

Na chegada, o caminhante recebe um certificado e ainda pode tocar o Sino do Peregrino, simbolizando a chegada.

 

Histórias de fé e de superação:

 

Foi na manhã do último dia de 2019 que quatro romeiros, moradores de Caxias do Sul, concluíram o percurso. Ao adentrar na esplanada do Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio, foi inevitável conter a emoção: a meta foi concluída, e 2020 começará com as bênçãos de Caravaggio. Para Cesar Bazzi, um dos caminhantes, o esforço foi recompensador. “Foi um caminho de reflexão. Além das belezas naturais, fomos recebidos por um povo muito acolhedor. O afago, e ter uma cama, um lugar legal para ficar. Além da questão da espiritualidade que acaba tendo mais tempo para refletir”.

 

 

“Foi uma experiência incrível, única e inesquecível. Algo fantástico”, comemora Leticia Aparecida Andreis, que chegou também na manhã desta terça-feira, 31 de dezembro, na companhia de Jaqueline Andreis Reck e Jonatan Castilhos de Camargo. “Aprendi uma lição de amor, de humanidade e fraternidade. E além disso, que a gente pode ser diferente, muito mais que pensamos ser”, emociona-se Jaqueline. “A gente passou por algumas dificuldades de água, comida e a gente pode ver nas pessoas como elas são boas”, concluiu Jonatan.

 

 

Ao longo do ano todo, as histórias de caminhantes, ciclistas e corredores emocionaram a todos. A chegada é sempre repleta de sentimentos. Carmem dos Santos Pedrozo e Luisa Bellicanta encontraram na parceria uma da outra a força para vencer o cansaço que os quase 200 quilômetros. “Foi tudo de bom. Para mim, nossa. Ele esteve no caminho, e não vai sair de mim, com certeza. Quando eu toquei na santa, a energia foi muito grande. E a minha fé, vai comigo até Santiago de Compostela”, afirma Luisa. “Foi uma experiência diferente. Muito dolorida, desgastante, mas valeu a pena. As paisagens e as pessoas, de coração aberto, valeu a pena”, define Carmem.

 

 

Além de ser uma experiência engrandecedora, para Aparecido Couto e Naiara Couto, o Caminhos de Caravaggio é uma preparação para o roteiro de Santiago de Compostela. “Pra mim foi uma realização, uma satisfação enorme ter a oportunidade de conhecer esse caminho. Agradeço a Deus e a Nossa Senhora de Caravaggio por ter permitido que a gente fizesse esse percurso. A gente conhecia a santa há bastante tempo, mas o percurso fiquei sabendo faz poucos dias e de imediato tivemos a ideia de fazer”.

 

 

“Na realidade, é um caminho difícil. Porque a gente sobe, baixa até o rio, sobe e assim vai fazendo. Esta última chegada aqui, com este asfalto aqui, foi bem penoso. Mas a experiência é fantástica, a paisagem é fantástica. Espero que a gente consiga fazer as pessoas tenham também esta admiração por Nossa Senhora de Caravaggio”, descreve o romeiro Paulo Roberto Doebber.

 

Parceria, união, alegria e emoção são alguns dos sentimentos que permearam a caminhada de Leomir Santos e Adair Calgaro – Leomir aproveitou, inclusive, para pedir pela recuperação da saúde da filha. “Em um caminho religioso, como é o caso de Santiago de Compostela e este, existe muito a questão espiritual que acompanha você o tempo todo. Você acaba sentindo a espiritualidade do local, as belezas que fomos vendo. Nós passamos por região de verde exuberante, de rios caudalosos, a chuva nos refrescou, o sol nos aqueceu e a fé nos conduziu”, lembra Calgaro.

 

O fortalecimento de laços em um grupo que caminhou junto e se descobriu cada vez mais é um dos destaques que a peregrina Hedy Mohr faz do trajeto de quase 200 quilômetros. “A gente fez o caminho em oito dias, com um grupo que formou uma integração muito grande, e a gente foi abençoado com um tempo muito bom também. Todos chegamos bem. Chegar ao final desta peregrinação é uma satisfação, com certeza”.

 

A experiência é transformadora e renova as energias diante de qualquer dificuldade, acredita o peregrino Carlos Tomedi.

“A gente aproveita para refletir, interagir, meditar e se divertir também. Porque não deixa de ser um caminho contemplativo, de estar mais com a natureza. É um hobby e ao mesmo tempo algo que nos faz limpar a alma”.

 

Magda Chagas, Leandro Hoffmeister e Salete Parisi percorreram juntos os 200 quilômetros. Quem resume a experiência é Magda: “Para mim, o caminho provou algo que eu já acreditava: tem que ter humildade, fé acima de tudo, respeito com as pessoas do caminho e que se tu quer alguma coisa, tu consegue. Porque as dificuldades, tu vai superando… e conforme tu vai superando, tu consegue cada vez mais”.

 

 

A decisão de percorrer o roteiro foi inesperada, mas encheu de esperança e amor o coração do peregrino Julio Cesar Pereira Correa. “O Caminhos de Caravaggio surgiu por um acaso, procurando coisas para fazer nas férias, e foram as melhores férias que eu fiz. Caminho restaurador e emocionante. Parabéns aos que fizeram inicialmente e tiveram a iniciativa de demarcar todo caminho. As pessoas que nos acolhem, sem palavras. As cidades estão de parabéns, o Santuário está de parabéns, as pessoas estão de parabéns.

O convívio, a presença de Nossa Senhora, de Deus, eu redescobri um Julio que há tempos eu não encontrava”

 

 

Encontrar-se de maneira profunda e verdadeira é uma das características que o peregrino Jorge Figueiredo de Carvalho dá para a experiência do Roteiro Caminhos de Caravaggio. “Eu vim muito pesado do Rio de Janeiro, com muitos problemas pessoais, familiares. E durante o caminho, eu fui me perdoando. Durante o caminho, eu refleti bastante, eu rezei muito, e não rezei só por mim não. Eu rezei por mim, pela minha família, pelos meus amigos.

Me surpreendeu bem o trajeto, a topografia é muito difícil. Não é simples como muita gente pode pensar, mas são lugares fantásticos, pessoas maravilhosas que a gente vai encontrando pelo caminho.

Às vezes, você chega em um lugar e não consegue nem respirar. E você ganha um abraço e um beijo de alguém que você nunca viu”.

 

 

Os amigos Eraldo Vieira Campos, João Roberto Bombardeli, Jaime e Janio Dall Agnol percorreram juntos o roteiro Caminhos de Caravaggio e definem a caminhada – que envolveu superação, amizade e gratidão – como maravilhosa.

“A gente caminha pra Deus, e o caminho em si, não tem como definir em uma palavra. É um caminho maravilhoso. Você conhece outras culturas, outros mundos e é perfeito”, afirma Eraldo.

“Para mim foi uma experiência incrível. Eu conhecia já Gramado, Canela, a região toda, mas não conhecia os interiores. Eu me surpreendi pelo povo que tem, a receptividade. Eu achei que ia ser mais difícil, pensei que não ia nem terminar a caminhada, mas a gente conseguiu. Tivemos uma parceria muito boa, tranquilo, não me sinto cansado. Contente que a gente concluiu, fomos bem recepcionados”, disse João Roberto Bombardeli.

“Se percebe uma diferença no povo. Muito acolhedor, muito valoroso. E a fé que a gente tem, e confiando na nossa caminhada, o cansaço sumiu”, definiu Jaime.

“As descidas e subidas são um pouco árduas, mas compensam. Achei extremamente maravilhoso e acho que mais gente tem que fazer. A cada vez que a gente passa, mais gente fica sabendo que existe”, disse Janio.