A fonte de água está entre os ícones que remetem à aparição de Nossa Senhora de Caravaggio, presente entre a imagem de Nossa Senhora e Joaneta. Ao lado de onde estavam os pés de ambas durante a aparição, em 26 de maio de 1432, uma fonte de água brotou. Ela ainda existe na cidade de Caravaggio, entre Veneza e Milão, na Itália, onde muitos doentes depositam pedidos e conseguem, por meio da fé, a solução para muitas enfermidades. Por isso, o Santuário de Farroupilha tem este símbolo impresso em várias manifestações de fé. Por exemplo: desde 2017, o Santuário deixou exposto o primeiro poço de água da região, cujo líquido foi usado para ajudar a erguer o Santuário. O poço foi descoberto há mais de meio século pelo falecido padre Teodoro Portolan. Mesmo com escassez de água na região de Caravaggio, em Farroupilha, o reservatório nunca deixou de verter. O poço está visível no chão do interior do Santuário, emoldurado por um vidro.Agora é a vez de duas novidades que envolvem a temática água. A mais recente é a fonte de água disponível para o público preencher garrafinhas, que apresentou mudanças.Após a remodelagem, a torneira tem capacidade para encher garrafinhas menores, de cerca de 300 ml. A ideia é que mais pessoas possam levar para casa o líquido bento de Caravaggio, contemplando assim maior número de fiéis. O ato de encher uma garrafinha com água benta não deixa de ser uma forma de levar uma bênção para o lar do devoto. A fonte fica ao lado direito do Santuário.

 

 

Além disso, o devoto que chega ao Santuário de Caravaggio, em Farroupilha, encontrará agora a fonte de água presente em uma das imagens.

Trata-se da estátua remodelada, hoje instalada atrás do Santuário, no Recanto do Rosário. A imagem foi reestruturada e entregue no início deste ano. Agora, além de conferir de pertinho Nossa Senhora e Joaneta, o devoto pode ver a fonte de água vertendo entre os pés das duas. É mais um elemento criado para que a atmosfera de religiosidade, reflexão e devoção fiquem mais evidentes. E também é mais uma forma de homenagear Nossa Senhora de Caravaggio, conhecida assim em território brasileiro – mas, na Itália, é chamada de Santa Maria della Fonte, justamente pelo vínculo com a história da vertente de água.

 

 

Água para os agricultores

Há outra história, igualmente envolvente e forte, que tem a água como principal fator. Foi na primavera e verão de 1898, período considerado implacável para os agricultores do interior de Farroupilha, devido à seca e associada às dificuldades daqueles primeiros tempos.

No início de 1899 os moradores foram convidados para se dirigirem em romaria (a pé, cavalo, carroça) até à Igreja Nossa Senhora de Caravaggio. Isso ocorreu no dia 02 de fevereiro. Num gesto de fé, reconhecimento e confiança, partiram de Nova Vicenza (Farroupilha), Caxias do Sul, Nova Roma do Sul, Nova Trento (Flores da Cunha), Bento Gonçalves e Nova Pompeia (Pinto Bandeira).

 

Na época, quem atendia a paróquia era o padre Francesco de Cicco. Todos foram acolhidos, cada qual recebeu o Sacramento da Reconciliação e participou da Santa Missa às 10 horas. Durante a celebração, uma pequena nuvenzinha se fez presente sobre Caravaggio. Meia hora depois, iniciou uma torrencial chuva, auxiliando assim os produtores rurais que suplicavam pelo fim da seca. Os agricultores vieram pisando no pó e voltaram pisando barro.

À tarde, rezavam o terço e cantavam as ladainhas, para retornarem a suas casas. A agricultura que parecia ter perdido tudo, renovou a esperança. No ano de 1902 o padre Henrique Poggi e os paroquianos de Caravaggio fizeram o voto de recordar o sinal. Desde então é promovida anualmente a Romaria Votiva de Caravaggio, no mês de fevereiro.

 

 

A história da aparição

Caravaggio está localizada entre Veneza e Milão, na Itália. Em 1431 foi dominada pelos venezianos, ocorreram divisões políticas e religiosas, ataques de bandidos e muitas heresias. Em 26 de maio de 1432, às 17h da segunda-feira, nesse cenário desolador, ocorreu a aparição de Nossa Senhora a uma camponesa de nome Joaneta. Maltratada e humilhada pelo marido, Francisco Varoli, Joaneta colhia pasto em um prado próximo. Entre lágrimas e orações, ela avistou uma senhora, semelhante a uma rainha e cheia de bondade.

 

 

É Nossa Senhora que apareceu à vidente Joaneta. Sua mensagem: “Tenho conseguido afastar do povo cristão os merecidos e iminentes castigos da Divina Justiça e venho anunciar a Paz”. Pediu também que o povo voltasse a fazer penitência, jejuar nas sextas-feiras e orar na igreja, no sábado à tarde, em agradecimento pelos castigos afastados, e que lhe fosse erguida uma capela. Assim, foi denominada Nossa Senhora de Caravaggio. Ao lado de onde estavam seus pés, brotou uma fonte de água, existente até os dias de hoje, onde muitos doentes recuperam a saúde. Joaneta, como verdadeira missionária, levou ao povo e aos governantes a mensagem de Maria. Em suas visitas, levava ânforas com água da fonte sagrada, que resultava em curas extraordinárias, prova da veracidade da aparição. A paz foi restabelecida na pátria e na Igreja. Uma resistência, porém, tornou-se famosa: é a história de Graziano, que certo dia chegou à margem da fonte milagrosa e permaneceu incrédulo. Pegou um galho seco e desfolhado, atirou na água e disse: “Se é verdade que Nossa Senhora pisou esta terra, enverdeça este ramo”. Conta-se que quando o bastão seco tocou a água, verdejou-se, brotaram galho, cobriu-se de folhas e desabrocharam flores. Recordando esse sinal, é costume representar a aparição de Caravaggio com um ramo florido entre a Virgem Maria e a vidente Joaneta.