Uma das vozes mais fortes ligadas ao trabalho humanitário de acolhida aos migrantes na Serra Gaúcha, a Irmã Maria do Carmo dos Santos Gonçalves lembra que a migração é um dos fatores que carecem de atenção, humanidade e empatia especialmente durante a pandemia. Na entrevista que você pode conferir abaixo, a religiosa lembra que quem sobrevive em condições de extrema vulnerabilidade social, e em situações de risco, seguirá buscando uma vida melhor e com mais segurança – e isso ocorre em qualquer canto do mundo.

 

 

“Mesmo que as migrações ocorram de forma espontânea – porque as pessoas fogem e fazem travessias que são consideradas irregulares, apesar da pandemia, estes movimentos não cessaram. A migração não cessou com a pandemia. A demanda e necessidade de fugir de situações que colocam em risco a vida não cessou. Por isso, o pedido é que os Estados que acolhem e que são destinos estejam sensíveis à questão destes migrantes”, lembra a religiosa.

Irmã Maria do Carmo atualmente mora em Brasília e atua como diretora e pesquisadora do Centro Scalabriniano de Estudos Migratórios (CSEM), e concluiu Doutorado em Ciências Sociais pela PUCRS. É uma das religiosas que esteve à frente da recepção de senegaleses, ganeses, haitianos e pessoas de outras nacionalidades na chegada à Serra Gaúcha, cujo fluxo se intensificou na segunda metade de 2012.