Relatos de devoção por Nossa Senhora de Caravaggio constroem uma das facetas mais admiráveis da história da santa. São estas demonstrações que jamais deixaram cair no esquecimento a aparição de Caravaggio na Itália, em 1432. Há devotos que encontram forças para retribuir milagres ou graças alcançadas de uma maneira única: peregrinando até o Santuário Diocesano, de Farroupilha. E chegam dos mais variados pontos do mapa gaúcho. E há quem assuma esse ato como um verdadeiro compromisso de fé. Por isso, pelo sexto ano, o advogado Álex Herold percorreu cerca de 90 quilômetros até o Santuário. Ele acompanhou os amigos Ramon Mazzarino e Hugo Ogliari, que saíram de Encantado, município gaúcho, durante o último Feriado Farroupilha, em 20, 21 e 22 de setembro. Em cada um dos três dias, cerca de 30 quilômetros foram percorridos. Ao longo do caminho, ficaram evidenciadas a união, a fé e a acolhida.

 

 

 

Desta vez, Álex recebeu o convite dos conterrâneos Ramon e Hugo. Para eles dois, ir a pé até o Santuário também não era novidade, já que a dupla fez o trajeto no ano passado. A promessa dos três amigos é que sigam a pé até Caravaggio sempre que a saúde permitir. É durante este trajeto, com intenso esforço físico, que a mente produz uma espécie de extrato de tudo que vem acontecendo: os ganhos e perdas, as vitórias e derrotas. O fato é que sempre surgem mais motivos para agradecer, garante Álex. “A gente provoca uma espécie de esvaziamento mental, em determinado ponto da caminhada, em que vencer se torna nossa principal meta. Chegar ao Santuário significa vencer, e com determinação, apoio e parceria, é possível. A fé foi nosso fio condutor”, lembra.

 

 

O que o trio de amigos não imaginava era a receptividade e repercussão que a peregrinação causariam. Isto porque, logo na saída de Encantado, os caminhantes concederam uma entrevista à rádio local. Narraram o desafio e receberam desejos de perseverança. Isso gerou uma onda gigantesca de afeto já que, por onde caminhavam, recebiam buzinas, aplausos, abraços. Uma cesta de frutas depositada próxima de uma caixa de papelão, na beira da estrada, com os dizeres ‘Para quem está indo a Caravaggio’ deixou claro que a comunidade torcia pela ida segura do trio de amigos – ali, bergamotas e laranjas deixadas por vizinhos simbolizavam admiração. “ Quando contamos para as pessoas o que iríamos fazer, elas associaram a algo bom, feito por gente do bem. O resultado disso nós colhemos na estrada”, lembra.

 

 

Hugo e Ramon concordam que a experiência é insubstituível, e que todo esforço físico fica pequeno diante da devoção pela Mãe de Caravaggio. “Toda vez que vou, minha fé se renova, vejo as coisas de maneira diferente. Passa um filme na cabeça e acaba lembrando das dificuldades do dia a dia, mas, principalmente, se fortifica minha fé. Quando volto, parece que estou blindado”, afirma Hugo. Para Ramon, a ideia de rumar os 90 quilômetros anualmente partiu do agradecimento de uma promessa. “Depois que eu e o Hugo fomos, ano passado, surgiu a ideia de que ir pelo resto da vida, uma vez por ano, a pé. Até que Deus e Nossa Senhora nos conceda saúde”, finaliza Ramon.