Se a ternura da infância adoça a vida de todos, imagine crianças caracterizadas de forma ainda mais encantadora: vestidas de santos da igreja católica! O altar do Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio ficou pequeno para tamanha delicadeza na noite da última sexta-feira, dia 1º de novembro, Dia de Todos os Santos. Desde 2011, crianças da região de Caravaggio, interior de Farroupilha, se reúnem para, em vez de vestirem com itens assombrosos do Halloween, usar roupas que se assemelham com santos que marcaram época – e deixaram em seu testemunho de vida um grande aprendizado. Eles têm como missão estudar a vida dos santos e transmitir este conhecimento para amigos, vizinhos e membros da comunidade.

 

 

Os pequenos, que participam a catequese no Santuário, participaram da missa das 20h da sexta-feira e tornaram a noite ainda mais especial. Marina Faccin, por exemplo, se vestiu de Santa Filomena e, no altar, deu um show ao ensinar um pouquinho da vida da santa. “Ela era uma princesa muito linda e não queria casar, queria seguir o caminho de Jesus. E tentaram matar ela com flechas”, lembra Marina. A história conta que ainda muito jovem, aos 13 anos, Filomena foi prometida ao Imperador Diocleciano para ser sua esposa em troca da pacificação de confrontos políticos. O Imperador, por sua vez, impressionou-se com a beleza da jovem. Como Filomena recusou a casar-se, porque havia escolhido o caminho de Senhor Jesus Cristo, o tirano ordenou, primeiramente, que a colocassem num cárcere e a flagelassem sangrentamente. Ela foi também lançada ao rio com uma âncora amarrada ao pescoço, ferida com flechadas e mantida em cárcere. Como nada disso funcionou, a heroica jovem foi morta decapitada por ordem do Imperador. No entanto, deixou um testemunho em vida cristã de entrega e amor puro a Cristo.

 

 

Também estava representada no altar do Santuário a Santa Dulce dos Pobres, Irmã Dulce. Canonizada no mês de outubro, a baiana Dulce se dedicou ao serviço dos mais pobres. Segundo Papa Francisco, o ato dela foi “um caminho de amor nas periferias existenciais do mundo”. A extensa lista de 42 crianças continha a representação de 41 santos. A ideia foi capitaneada em 2011 pela catequista Daiane Ávila, mas com a colaboração de todas as catequistas do Santuário de Caravaggio, e costuma se repetir ano a ano. “É bom participar de algo que te leva a Deus. Conhecer a vida dos santos é te dar conta que eles também eram humanos, cheios de fraqueza, mas tinham uma força extraordinária – e uma coragem extraordinária – de dizer ‘sim, eu sou cristão’”, afirma.