Aliar religiosidade, reflexão, humanidade e uma longa caminhada é uma das propostas que o roteiro turístico Caminhos de Caravaggio, que liga os Santuários de Canela a Farroupilha, oferece. Afinal, entre os peregrinos que percorrem os 200 km de trajeto, o discurso é unânime: ninguém volta deste desafio com as mesmas limitações e dificuldades que tinha ao começar a experiência.

São, pelo menos, cinco dias em que romeiros encontram forças na fé, na prece e na devoção a Nossa Senhora de Caravaggio. O relato é de que, além da forte presença de Nossa Senhora durante a caminhada, a acolhida dos moradores e as belezas naturais formam o conjunto perfeito para que o passeio seja inesquecível.

Veja os depoimentos de quem cumpriu a tarefa e compartilhou a conquista na chegada a Farroupilha.

 

Daniel e Paula

O casal reforça que a sensação de ter concluído o caminho é de muita superação, especialmente pelas dificuldades do trajeto. “Mas o depoimento de pessoas que nos recebem é muito legal. Você acaba tendo uma experiência que, muitas vezes, tu não tem quase nem com a família. Pessoal acolhe de um jeito bem interessante, você janta ou toma café com eles, é uma experiência muito boa”.

Histórias de milagres intercedidos por Caravaggio também chegaram para Daniel e Paula durante o caminho: “Ouvimos muitos relatos da fé das pessoas de histórias que os médicos haviam dito que não tinham mais possibilidades, fizeram promessa e hoje estão bem”.

Daniel também lembra que o momento de reflexão é intenso: “Você acaba não tendo sons, celular, nada para distrair. Em muitos lugares, você acaba escutando só os sons dos seus passos, acaba refletindo mais e se encontrando melhor”.

 

Eliana e Iliça

“Foi muito emocionante. O caminho foi pesado, apesar da nossa experiência de caminhada, foi a primeira a longa distância. Escolhemos esse para dar o pontapé para outros caminhos”, conta.

Segundo a dupla, o principal combustível para enfrentar as dificuldades foi o carinho dos moradores que estão distribuídos pelo interior das cinco cidades que o roteiro contempla:  Canela, Gramado, Nova Petrópolis, Caxias do Sul e Farroupilha.

“Mas o que preencheu todo esse sofrimento, tirando as dores, nas costas, o peso da mochila, é o carinho das pessoas que nos receberam. As paisagens belíssimas, cinco cidades nos receberam com muito carinho. Pessoas muito generosas, oferecendo água, prato de comida. No dia dos pais, estávamos caminhando, uma família nos chamou “vem aqui para almoçar com a gente”. Cada passo que a gente deu, valeu a pena”, encerra.

 

Mariléia e Cândida

“Foi uma superação, um momento de fé, momentos incríveis que passamos juntas. Foi muito legal”, afirma Mariléia. Ela, inclusive, foi quem convidou a amiga Cândida para que percorressem juntas os 200 km entre os dois Santuários.

“Nas dificuldades, nós sentimos que Nossa Senhora estava tão perto e ela resolvia nossas dificuldades nos momentos de angústia. O caminho mostrou muitos desafios e a gente conseguiu superar com fé, a gente rezava. Só tenho a agradecer a Léia (Mariléia) que me levou nessa caminhada, ela me provocou, aceitou o desafio e hoje estamos aqui”, afirma Cândida.

 

Naldo Dalmazo

O peregrino não é aventureiro no quesito longas caminhadas: ele já percorreu Santiago de Compostela em 2017, roteiro que serve como inspiração para o Caminhos de Caravaggio. Ele percorreu os 200 km entre Farroupilha e Canela em seis dias. “Minha mulher me falou ‘vai com calma que não é competição’. Eu sei que não é competição, mas é uma coisa da gente mesmo. Vencer as subidas, se superar, conseguir fazer as coisas que você queria. É uma imensa satisfação você conseguir fechar o dia, o ciclo. Eu fiz e ninguém vai me tirar isso”, afirma.

 

Dilma e Eliza

Cada centímetro do trajeto carrega emoção, superação e felicidade, de acordo com a visão de Dilma e Eliza, dupla que percorreu os 200 km.

“O que eu trouxe de lá, e vou levar daqui também, são as pessoas que me acolheram. Quando a gente ia nos lugares, nos davam aquele abraço e olhavam no olho da gente. A gente caminha pra tentar ser um ser humano melhor. Você ve o outro lado das pessoas. Passamos por muitas áreas rurais e vimos a gentileza das pessoas. Eu estava sem água ontem e as pessoas me deram água e sorriso”, lembra Dilma.

“Quando você está cansada, chega lá em cima e enxerga aquela paisagem linda, na hora, tu perde o cansaço, ele todo vai embora. Baita visual daqui. Farei demais e faria novamente. Eu chorei quando cheguei em Vila Oliva cansada e a dona da hospedaria me deu um abraço muito bom, eu choro só de lembrar. Essa acolhida é especial”, afirma Eliza.