Hoje, dia de São João XXIII, republicamos o discurso, de improviso, de João XXIII, no natal de 1958, poucos meses depois da sua eleição, por ocasião da visita ao Cárcere Regina Coeli, de Roma.

 

 

Papa Francisco

Em seu discurso, o Papa lembrou da comoção que se espalhou por todo o mundo na tarde do dia 3 de junho de 1963, quando morria o Papa João. A Praça São Pedro tornou-se um santuário a céu aberto, disse Francisco, acolhendo dia e noite os fiéis de todas as idades e condições sociais, apreensivos e em oração pelo Papa.

O Pontífice ressaltou que o mundo inteiro reconheceu em João XXIII um pastor e pai, e também destacou sobre como ele conseguiu atingir o coração de pessoas tão diferentes, até mesmo de muitos não-cristãos. “Para responder a essa pergunta, podemos nos referir ao seu lema episcopal, Oboedientia et pax (obediência e paz). Essas palavras, anotou o Arcebispo Roncalli no Diário da Alma, na véspera de sua ordenação episcopal, são um pouco a minha história e a minha vida”, disse o Papa.

O Santo Padre falou então da paz, aspecto que as pessoas viam no Papa João XXIII. Segundo Francisco, Angelo Roncalli era um homem capaz de transmitir a paz, uma paz natural, serena e cordial. Uma paz que com sua eleição ao pontificado manifestou-se ao mundo inteiro e recebeu o nome da bondade. “Esta foi, sem dúvida, uma característica de sua personalidade, que lhe permitiu construir amizades sólidas em todos os lugares e que se destacou de maneira particular em seu ministério como representante do Papa”.

Outro aspecto que Francisco ressaltou foi a virtude da obediência, classificada por ele como a disposição interior de Roncalli. “Se a paz foi a característica exterior, a obediência foi para Roncalli a disposição interior. A obediência, na realidade, foi o instrumento para alcançar a paz”.

Para o Pontífice, essa obediência teve um sentido muito simples e concreto: desempenhar na Igreja o serviço que os superiores lhes pediam, sem buscar nada para si, sem fugir de tudo o que lhe era pedido. Um gesto que, segundo o Papa, significou para ele deixar sua terra, confrontar-se com mundos desconhecidos e permanecer por longos anos em lugares onde a presença de católicos era muito escassa.

“Ainda mais profundamente, mediante este abandono cotidiano à vontade de Deus, o futuro Papa João viveu uma purificação que lhe permitiu se distanciar completamente de si mesmo e aderir a Cristo, deixando emergir a santidade que a Igreja depois oficialmente reconheceu. ‘Quem perder a sua vida por mim, a salvará’ nos diz Jesus. Esta é a verdadeira fonte da bondade do Papa João, da paz que difundiu no mundo. Aqui está a raiz de sua santidade: nesta sua obediência evangélica.”

“Este é um ensinamento para cada um de nós e para a Igreja do nosso tempo”, disse o Papa Francisco. Segundo ele, se os fiéis se deixarem conduzir pelo Espírito Santo, se souberem mortificar o egoísmo para dar espaço ao amor do Senhor e sua vontade, encontrarão a paz, serão construtores de paz e difundirão a paz onde estiverem.

Enfim, o Santo Padre convidou a Igreja em Bérgamo a ter orgulho do “Papa Bom, brilhante exemplo de fé”. “Mantenha seu espírito, aprofundam o estudo de sua vida e seus escritos, mas sobretudo imitem a sua santidade. Do céu, ele continue acompanhando com amor a sua Igreja, que tanto amou na vida, e obtenha para ela do Senhor o dom de numerosos e santos sacerdotes, de vocações para a vida religiosa e missionária, bem como também para a vida familiar e o compromisso dos leigos na Igreja e no mundo.”